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Psicólogos Perto

Terapia sistêmica e familiar: o que é e como funciona

A terapia sistêmica olha a pessoa dentro das relações da família. Veja origem, princípios, sessões, formação, a diferença para a constelação familiar e o CRP.

Conteúdo de saúde. Este texto informa sobre o acesso a serviços; não substitui atendimento. Se o sofrimento estiver intenso agora, o CVV atende pelo 188, de graça, 24 horas.

A terapia sistêmica e familiar é uma abordagem de psicoterapia que olha para a pessoa dentro das relações de que ela faz parte, em especial a família. Em vez de ver uma dificuldade como algo que mora só dentro de um indivíduo, ela observa como os membros de um sistema se influenciam uns aos outros. O atendimento pode reunir a família, o casal ou apenas uma pessoa.

Esta página descreve a terapia sistêmica nos seus próprios termos: origem, princípios, como costuma ser a sessão, onde o psicólogo se forma, a diferença para a constelação familiar e como conferir o registro do profissional.

De onde vem a terapia sistêmica

Segundo artigo da revista Psicologia: Teoria e Pesquisa, a terapia familiar surgiu nos Estados Unidos com o trabalho de um grupo de pensadores e terapeutas, e Gregory Bateson e Nathan Ackerman estão entre os pioneiros. O chamado Grupo de Palo Alto, do qual Bateson fez parte, estudou a comunicação e levou essas observações para a análise das relações humanas no cotidiano.

Entre 1960 e 1970 surgiram diferentes abordagens e métodos. Murray Bowen e Ivan Boszormenyi-Nagy estudaram heranças, mitos e lealdades familiares que atravessam gerações. Na década de 1970 ganhou destaque Salvador Minuchin, que propôs o enfoque estrutural, com atenção aos subsistemas da família, como o casal, os pais e os irmãos. Depois vieram outras escolas e, mais tarde, enfoques centrados nas narrativas e nas conversas.

No Brasil, segundo panorama publicado na revista Psicologia: Reflexão e Crítica, a terapia de família fez suas primeiras incursões nos anos 1970.

Princípios da abordagem

Nos termos da própria terapia sistêmica, a família funciona como um sistema: o que acontece com um membro afeta os outros, e o contrário também. Alguns conceitos ajudam a entender essa visão:

  • Circularidade: em vez de buscar um culpado ou uma causa única, a abordagem observa os circuitos de influência mútua. O artigo citado aponta a primazia do pensamento circular em todas as fases da terapia familiar.
  • Cibernética e teoria dos sistemas: a cibernética, estudo dos mecanismos de feedback em sistemas que se autorregulam, e a teoria geral dos sistemas, de Ludwig von Bertalanffy, deram as bases conceituais da abordagem.
  • Função do sintoma: uma formulação clássica diz que um membro da família tem um sintoma e é um sintoma da família. Hoje essa ideia é vista com mais cautela, mas ajudou a olhar a queixa além do indivíduo.
  • Colaboração: o terapeuta de hoje busca uma relação colaborativa com a família, e não uma posição de quem dá ordens de fora.

Como costuma funcionar na prática

As primeiras sessões costumam servir para entender quem compõe a família, como as pessoas se relacionam e o que levou o grupo a buscar atendimento. Um recurso comum é o genograma, um desenho da família ao longo de gerações, que ajuda a visualizar vínculos, repetições e acontecimentos marcantes.

Nas sessões, o terapeuta costuma fazer perguntas que convidam cada pessoa a olhar a situação pelo lado das outras, observa como elas se comunicam ali mesmo e propõe novas formas de conversar.

Formato e duração das sessões

A sessão pode reunir a família inteira, parte dela, o casal ou uma única pessoa. A composição de cada encontro é combinada com o terapeuta e pode mudar ao longo do processo. A frequência e a duração também variam conforme o caso e o profissional.

O artigo terapia de casal: como funciona descreve esse formato em detalhe, e criança no psicólogo e a família fala da participação dos pais no atendimento infantil. O artigo quanto tempo dura a terapia explica por que não existe número fixo.

Para que tipo de demanda é usada

Na literatura da própria abordagem, a terapia sistêmica é descrita como uma forma de trabalhar conflitos familiares e conjugais, dificuldades de comunicação, mudanças no ciclo de vida da família, como nascimentos, separações e perdas, e o sofrimento de uma pessoa quando ele está ligado às relações. Ela também é usada em serviços de saúde, de assistência social e de justiça.

O que acontece em cada terapia depende das pessoas envolvidas e do processo. Nenhuma abordagem promete resultado.

Constelação familiar não é terapia sistêmica

Apesar do nome, que às vezes vem acompanhado da palavra sistêmica, a constelação familiar não pertence à tradição da terapia familiar sistêmica descrita nesta página e não é abordagem reconhecida pela psicologia.

O Conselho Federal de Psicologia publicou a Nota Técnica CFP nº 1/2023 sobre o tema. Segundo o CFP, o documento aponta incongruências éticas e de conduta profissional, e, conforme o resumo publicado pelo conselho, diversos pressupostos teóricos da Constelação Familiar mostram-se contrários a Resoluções e outras normativas do Sistema Conselhos de Psicologia. A nota também afirma que o método não abarca conhecimento técnico suficiente para o manejo dos estados de sofrimento que a sessão pode provocar, e que a transmissão aberta de sessões é conduta incompatível com o sigilo profissional.

A prática consta de uma portaria de 2018 do Ministério da Saúde sobre práticas integrativas, e o CFP informou que levaria a questão ao ministério. Por decisão editorial, este site não tem categoria para constelação familiar.

Onde o psicólogo se forma em terapia sistêmica

O aprofundamento em terapia sistêmica costuma vir depois da graduação, em institutos e núcleos formadores, especialização e programas de pós-graduação de universidades públicas. A Associação Brasileira de Terapia Familiar (Abratef) aprovou em 2021 um programa de formação de 360 horas para institutos e núcleos formadores, que combina teoria, atendimento supervisionado e trabalho com a própria história familiar do terapeuta.

A Abratef reúne profissionais de terapia familiar e de outras áreas biopsicossociais. Por isso, nem todo terapeuta de família é psicólogo.

Como conferir o CRP do profissional

Todo psicólogo precisa estar inscrito no Conselho Regional de Psicologia para exercer a profissão, como determina a Lei nº 5.766/1971. Já o título de psicoterapeuta não é exclusivo: o CRP de Santa Catarina explica que nem todo psicoterapeuta é psicólogo, porque a psicoterapia não tem regulamentação própria.

O nome e o número do CRP podem ser conferidos no Cadastro Nacional de Profissionais de Psicologia, do Conselho Federal de Psicologia. A página como verificamos o CRP mostra como este site faz essa conferência. Na busca por cidade, os perfis de psicólogos trazem o CRP conferido e a data da conferência.

Quem não pode pagar encontra caminhos gratuitos em psicólogo gratuito e na lista de clínicas-escola. Se o sofrimento estiver pesado agora, o CVV atende pelo telefone 188, de graça e 24 horas por dia, e a página em crise: onde buscar ajuda agora reúne os caminhos imediatos.

Outras abordagens descritas neste site: psicodrama, terapia comportamental e psicanálise. O guia como escolher um psicólogo reúne perguntas úteis para a primeira conversa.

A escolha da abordagem se faz na conversa com o profissional, levando em conta a história e as necessidades de cada pessoa. Este site não indica abordagem para casos individuais.

Perguntas frequentes

Constelação familiar é terapia sistêmica?

Não. A constelação familiar não pertence à tradição da terapia familiar sistêmica e não é abordagem reconhecida pela psicologia. O Conselho Federal de Psicologia publicou em 2023 uma nota técnica que aponta incompatibilidades entre a constelação familiar e o exercício da profissão.

Terapia sistêmica pode ser individual?

Sim. O olhar sistêmico parte das relações, mas também é usado no atendimento de uma única pessoa, em que a família e os outros vínculos entram na conversa mesmo sem estar na sala.

Terapia sistêmica atende casais?

Sim. A terapia de casal é uma das formas de trabalho da abordagem, ao lado do atendimento de famílias inteiras ou de parte delas.

Todo terapeuta de família é psicólogo?

Não necessariamente. A terapia familiar reúne profissionais de diferentes áreas. Quem se apresenta como psicólogo tem registro no CRP, que pode ser conferido no cadastro do Conselho Federal de Psicologia.

Fontes

  1. A perspectiva sistêmica para a Clínica da Família (Psicologia, Teoria e Pesquisa)Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília (revista Psicologia, Teoria e Pesquisa, SciELO), consultado em 28 de setembro de 2026
  2. Terapia de família (Psicologia, Ciência e Profissão)Conselho Federal de Psicologia (revista Psicologia, Ciência e Profissão, SciELO), consultado em 28 de setembro de 2026
  3. Terapia de família no Brasil, uma visão panorâmica (Psicologia, Reflexão e Crítica)Universidade Federal do Rio Grande do Sul (revista Psicologia, Reflexão e Crítica, SciELO), consultado em 28 de setembro de 2026
  4. Sobre a AbratefAssociação Brasileira de Terapia Familiar (Abratef), consultado em 28 de setembro de 2026
  5. Em nota técnica, Sistema Conselhos destaca incompatibilidades no uso da constelação familiar como prática da PsicologiaConselho Federal de Psicologia, consultado em 28 de setembro de 2026
  6. Lei nº 5.766, de 20 de dezembro de 1971Presidência da República, consultado em 28 de setembro de 2026
  7. Psicoterapia (Perguntas frequentes do CRP 12)Conselho Regional de Psicologia da 12ª Região (SC), consultado em 28 de setembro de 2026
  8. CVV, Centro de Valorização da VidaCentro de Valorização da Vida, consultado em 28 de setembro de 2026

Como se escolhe a abordagem

A escolha da abordagem se dá na conversa com o profissional. Este site não indica abordagem para casos individuais e não compara a eficácia de uma com outra. Veja como escolher um psicólogo.

Outras abordagens