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A terapia sistêmica e familiar é uma abordagem de psicoterapia que olha para a pessoa dentro das relações de que ela faz parte, em especial a família. Em vez de ver uma dificuldade como algo que mora só dentro de um indivíduo, ela observa como os membros de um sistema se influenciam uns aos outros. O atendimento pode reunir a família, o casal ou apenas uma pessoa.
Esta página descreve a terapia sistêmica nos seus próprios termos: origem, princípios, como costuma ser a sessão, onde o psicólogo se forma, a diferença para a constelação familiar e como conferir o registro do profissional.
De onde vem a terapia sistêmica
Segundo artigo da revista Psicologia: Teoria e Pesquisa, a terapia familiar surgiu nos Estados Unidos com o trabalho de um grupo de pensadores e terapeutas, e Gregory Bateson e Nathan Ackerman estão entre os pioneiros. O chamado Grupo de Palo Alto, do qual Bateson fez parte, estudou a comunicação e levou essas observações para a análise das relações humanas no cotidiano.
Entre 1960 e 1970 surgiram diferentes abordagens e métodos. Murray Bowen e Ivan Boszormenyi-Nagy estudaram heranças, mitos e lealdades familiares que atravessam gerações. Na década de 1970 ganhou destaque Salvador Minuchin, que propôs o enfoque estrutural, com atenção aos subsistemas da família, como o casal, os pais e os irmãos. Depois vieram outras escolas e, mais tarde, enfoques centrados nas narrativas e nas conversas.
No Brasil, segundo panorama publicado na revista Psicologia: Reflexão e Crítica, a terapia de família fez suas primeiras incursões nos anos 1970.
Princípios da abordagem
Nos termos da própria terapia sistêmica, a família funciona como um sistema: o que acontece com um membro afeta os outros, e o contrário também. Alguns conceitos ajudam a entender essa visão:
- Circularidade: em vez de buscar um culpado ou uma causa única, a abordagem observa os circuitos de influência mútua. O artigo citado aponta a primazia do pensamento circular em todas as fases da terapia familiar.
- Cibernética e teoria dos sistemas: a cibernética, estudo dos mecanismos de feedback em sistemas que se autorregulam, e a teoria geral dos sistemas, de Ludwig von Bertalanffy, deram as bases conceituais da abordagem.
- Função do sintoma: uma formulação clássica diz que um membro da família tem um sintoma e é um sintoma da família. Hoje essa ideia é vista com mais cautela, mas ajudou a olhar a queixa além do indivíduo.
- Colaboração: o terapeuta de hoje busca uma relação colaborativa com a família, e não uma posição de quem dá ordens de fora.
Como costuma funcionar na prática
As primeiras sessões costumam servir para entender quem compõe a família, como as pessoas se relacionam e o que levou o grupo a buscar atendimento. Um recurso comum é o genograma, um desenho da família ao longo de gerações, que ajuda a visualizar vínculos, repetições e acontecimentos marcantes.
Nas sessões, o terapeuta costuma fazer perguntas que convidam cada pessoa a olhar a situação pelo lado das outras, observa como elas se comunicam ali mesmo e propõe novas formas de conversar.
Formato e duração das sessões
A sessão pode reunir a família inteira, parte dela, o casal ou uma única pessoa. A composição de cada encontro é combinada com o terapeuta e pode mudar ao longo do processo. A frequência e a duração também variam conforme o caso e o profissional.
O artigo terapia de casal: como funciona descreve esse formato em detalhe, e criança no psicólogo e a família fala da participação dos pais no atendimento infantil. O artigo quanto tempo dura a terapia explica por que não existe número fixo.
Para que tipo de demanda é usada
Na literatura da própria abordagem, a terapia sistêmica é descrita como uma forma de trabalhar conflitos familiares e conjugais, dificuldades de comunicação, mudanças no ciclo de vida da família, como nascimentos, separações e perdas, e o sofrimento de uma pessoa quando ele está ligado às relações. Ela também é usada em serviços de saúde, de assistência social e de justiça.
O que acontece em cada terapia depende das pessoas envolvidas e do processo. Nenhuma abordagem promete resultado.
Constelação familiar não é terapia sistêmica
Apesar do nome, que às vezes vem acompanhado da palavra sistêmica, a constelação familiar não pertence à tradição da terapia familiar sistêmica descrita nesta página e não é abordagem reconhecida pela psicologia.
O Conselho Federal de Psicologia publicou a Nota Técnica CFP nº 1/2023 sobre o tema. Segundo o CFP, o documento aponta incongruências éticas e de conduta profissional, e, conforme o resumo publicado pelo conselho, diversos pressupostos teóricos da Constelação Familiar mostram-se contrários a Resoluções e outras normativas do Sistema Conselhos de Psicologia. A nota também afirma que o método não abarca conhecimento técnico suficiente para o manejo dos estados de sofrimento que a sessão pode provocar, e que a transmissão aberta de sessões é conduta incompatível com o sigilo profissional.
A prática consta de uma portaria de 2018 do Ministério da Saúde sobre práticas integrativas, e o CFP informou que levaria a questão ao ministério. Por decisão editorial, este site não tem categoria para constelação familiar.
Onde o psicólogo se forma em terapia sistêmica
O aprofundamento em terapia sistêmica costuma vir depois da graduação, em institutos e núcleos formadores, especialização e programas de pós-graduação de universidades públicas. A Associação Brasileira de Terapia Familiar (Abratef) aprovou em 2021 um programa de formação de 360 horas para institutos e núcleos formadores, que combina teoria, atendimento supervisionado e trabalho com a própria história familiar do terapeuta.
A Abratef reúne profissionais de terapia familiar e de outras áreas biopsicossociais. Por isso, nem todo terapeuta de família é psicólogo.
Como conferir o CRP do profissional
Todo psicólogo precisa estar inscrito no Conselho Regional de Psicologia para exercer a profissão, como determina a Lei nº 5.766/1971. Já o título de psicoterapeuta não é exclusivo: o CRP de Santa Catarina explica que nem todo psicoterapeuta é psicólogo, porque a psicoterapia não tem regulamentação própria.
O nome e o número do CRP podem ser conferidos no Cadastro Nacional de Profissionais de Psicologia, do Conselho Federal de Psicologia. A página como verificamos o CRP mostra como este site faz essa conferência. Na busca por cidade, os perfis de psicólogos trazem o CRP conferido e a data da conferência.
Quem não pode pagar encontra caminhos gratuitos em psicólogo gratuito e na lista de clínicas-escola. Se o sofrimento estiver pesado agora, o CVV atende pelo telefone 188, de graça e 24 horas por dia, e a página em crise: onde buscar ajuda agora reúne os caminhos imediatos.
Outras abordagens descritas neste site: psicodrama, terapia comportamental e psicanálise. O guia como escolher um psicólogo reúne perguntas úteis para a primeira conversa.
A escolha da abordagem se faz na conversa com o profissional, levando em conta a história e as necessidades de cada pessoa. Este site não indica abordagem para casos individuais.
Perguntas frequentes
Constelação familiar é terapia sistêmica?
Não. A constelação familiar não pertence à tradição da terapia familiar sistêmica e não é abordagem reconhecida pela psicologia. O Conselho Federal de Psicologia publicou em 2023 uma nota técnica que aponta incompatibilidades entre a constelação familiar e o exercício da profissão.
Terapia sistêmica pode ser individual?
Sim. O olhar sistêmico parte das relações, mas também é usado no atendimento de uma única pessoa, em que a família e os outros vínculos entram na conversa mesmo sem estar na sala.
Terapia sistêmica atende casais?
Sim. A terapia de casal é uma das formas de trabalho da abordagem, ao lado do atendimento de famílias inteiras ou de parte delas.
Todo terapeuta de família é psicólogo?
Não necessariamente. A terapia familiar reúne profissionais de diferentes áreas. Quem se apresenta como psicólogo tem registro no CRP, que pode ser conferido no cadastro do Conselho Federal de Psicologia.
Fontes
- A perspectiva sistêmica para a Clínica da Família (Psicologia, Teoria e Pesquisa)Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília (revista Psicologia, Teoria e Pesquisa, SciELO), consultado em 28 de setembro de 2026
- Terapia de família (Psicologia, Ciência e Profissão)Conselho Federal de Psicologia (revista Psicologia, Ciência e Profissão, SciELO), consultado em 28 de setembro de 2026
- Terapia de família no Brasil, uma visão panorâmica (Psicologia, Reflexão e Crítica)Universidade Federal do Rio Grande do Sul (revista Psicologia, Reflexão e Crítica, SciELO), consultado em 28 de setembro de 2026
- Sobre a AbratefAssociação Brasileira de Terapia Familiar (Abratef), consultado em 28 de setembro de 2026
- Em nota técnica, Sistema Conselhos destaca incompatibilidades no uso da constelação familiar como prática da PsicologiaConselho Federal de Psicologia, consultado em 28 de setembro de 2026
- Lei nº 5.766, de 20 de dezembro de 1971Presidência da República, consultado em 28 de setembro de 2026
- Psicoterapia (Perguntas frequentes do CRP 12)Conselho Regional de Psicologia da 12ª Região (SC), consultado em 28 de setembro de 2026
- CVV, Centro de Valorização da VidaCentro de Valorização da Vida, consultado em 28 de setembro de 2026