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A psicanálise é uma forma de tratamento pela fala criada por Sigmund Freud. Segundo o Instituto de Psicologia da USP, ela é um método de psicoterapia pautado na exploração do inconsciente, com a associação livre por parte do paciente e a interpretação por parte do psicanalista. Além de método clínico, a psicanálise também se tornou uma escola de pensamento sobre a cultura e a sociedade.
Esta página descreve a abordagem nos seus próprios termos: de onde vem, como costuma funcionar, onde se forma um psicanalista e por que vale conferir se o profissional também é psicólogo com CRP.
De onde vem a psicanálise
Sigmund Freud nasceu na Áustria em 1856 e era médico neurologista. A obra que costuma ser tratada como marco inaugural da psicanálise é A interpretação dos sonhos, publicada em novembro de 1899, mas já com a data de 1900. Com base nesse trabalho, Freud passa a organizar uma teoria sobre a vida psíquica em que o inconsciente ocupa o centro.
Ao longo do século XX, a psicanálise se diversificou em várias correntes, com autores que retomaram, revisaram ou ampliaram as ideias de Freud. Hoje é comum ouvir falar em psicanálise freudiana, lacaniana, kleiniana e winnicottiana, entre outras. Cada corrente tem vocabulário e manejo clínico próprios, mas todas se reconhecem na mesma tradição.
Princípios da abordagem
Nos termos da própria psicanálise, parte importante do que uma pessoa sente, repete e sofre não passa pela consciência. O inconsciente se manifesta em sonhos, lapsos, esquecimentos, sintomas e nas repetições da vida afetiva. O trabalho analítico busca dar lugar a esse material pela palavra.
Alguns conceitos aparecem em quase todas as correntes:
- Associação livre: o paciente é convidado a falar o que vier à mente, sem selecionar o que parece importante ou apropriado.
- Escuta e interpretação: o psicanalista escuta de forma atenta e, em certos momentos, intervém para abrir sentidos no que foi dito.
- Transferência: os afetos que o paciente dirige ao analista são tratados como parte do próprio trabalho clínico.
- Singularidade: a psicanálise não parte de um roteiro padronizado. O percurso é construído caso a caso.
Como costuma funcionar na prática
O início costuma ser um período de entrevistas iniciais, em que o paciente conta por que chegou e o profissional escuta para entender a demanda. Depois disso, combinam-se as condições do tratamento: frequência, horário, valor e o formato dos encontros.
Nas sessões, o paciente fala e o analista escuta. Não há exercícios nem tarefas para casa, em geral. O analista pode fazer perguntas, pontuar uma frase ou propor uma interpretação, e também pode ficar em silêncio por longos trechos. Esse silêncio faz parte do método e não significa desatenção.
Formato e duração das sessões
O formato varia bastante. Algumas sessões acontecem no divã, com o analista fora do campo de visão do paciente. Outras acontecem frente a frente, em poltronas. A frequência pode ser de um ou mais encontros por semana, conforme o que for combinado, e a duração de cada sessão também varia entre correntes: em algumas ela é fixa, em outras o tempo é variável.
A análise costuma ser um processo sem prazo definido de antemão. A duração depende do caso e é conversada ao longo do tratamento. O atendimento online também existe na psicanálise; a página sobre psicólogo online explica como ele funciona.
Para que tipo de demanda é usada
Na literatura da própria psicanálise, a abordagem é descrita como uma forma de tratar o sofrimento psíquico em sentido amplo: angústias, inibições, repetições que a pessoa não consegue explicar, dificuldades nos vínculos, no trabalho, no amor e na relação consigo mesma. Ela também é buscada por quem quer se conhecer sem ter uma queixa definida.
A psicanálise atende crianças, adolescentes e adultos, com adaptações de manejo em cada caso. Com crianças, por exemplo, o brincar costuma entrar como forma de expressão. A abordagem não promete resultado nem prazo: o que acontece em cada análise depende do percurso de cada pessoa.
Psicanalista não é profissão regulamentada
Este é o ponto que mais gera confusão. Segundo nota de orientação do Conselho Regional de Psicologia da Bahia (CRP-03), a psicanálise e a psicoterapia não são profissões regulamentadas no Brasil e, por isso, não têm conselho de profissão para orientar, fiscalizar e receber denúncias. A própria Federação Brasileira de Psicanálise afirma que, no Brasil, a psicanálise é um ofício, não uma profissão regulamentada por lei.
Na prática, isso significa que existem dois tipos de psicanalista:
- Psicólogo psicanalista: é psicólogo, tem registro no Conselho Regional de Psicologia e responde ao Código de Ética da profissão. A Lei nº 5.766/1971 exige que todo profissional de Psicologia esteja inscrito no Conselho Regional para exercer a profissão.
- Psicanalista sem formação em Psicologia: pode atuar como psicanalista, mas não tem CRP. O CRP-03 lembra que, nesse caso, o conselho não tem como abrir processo ético, e a instância para denúncias é a justiça comum.
O mesmo vale para o título de psicoterapeuta. O CRP de Santa Catarina explica que nem todo psicoterapeuta é psicólogo, porque a psicoterapia não tem regulamentação própria. A diferença está explicada em detalhe em diferença entre psicólogo, psiquiatra e psicanalista.
Onde se forma um psicanalista
A formação em psicanálise acontece fora da graduação, em sociedades e institutos psicanalíticos, e também em programas de pós-graduação de universidades que pesquisam a teoria. A tradição clássica, descrita pela Febrapsi, se apoia num tripé: análise pessoal, supervisão clínica com analistas experientes e seminários teóricos e clínicos. Por isso a formação costuma levar anos.
Quando quem faz essa formação é psicólogo, ele continua sujeito às normas do Conselho Federal de Psicologia. A Resolução CFP nº 13/2022 trata das diretrizes da psicoterapia feita por psicólogos e estabelece critérios para a utilização da abordagem psicoterapêutica.
Como conferir o CRP do profissional
Se o psicanalista se apresenta como psicólogo, o nome e o número do registro podem ser conferidos no Cadastro Nacional de Profissionais de Psicologia, mantido pelo Conselho Federal de Psicologia. A página como verificamos o CRP mostra como este site faz essa conferência e como qualquer pessoa pode repeti-la. O artigo como conferir o CRP do psicólogo detalha o caminho.
Na busca por cidade, os perfis de psicólogos trazem o CRP conferido e a data da conferência. Para quem não pode pagar, existem caminhos gratuitos e de preço social descritos em psicólogo gratuito e em clínica-escola de psicologia.
Se o sofrimento estiver pesado agora, o CVV atende pelo telefone 188, de graça e 24 horas por dia. A página em crise: onde buscar ajuda agora reúne os caminhos imediatos.
Outras abordagens descritas neste site: psicologia analítica, terapia cognitivo-comportamental e abordagem fenomenológico-existencial. O guia como escolher um psicólogo reúne perguntas úteis para a primeira conversa.
A escolha da abordagem se faz na conversa com o profissional, levando em conta a história e as necessidades de cada pessoa. Este site não indica abordagem para casos individuais.
Perguntas frequentes
Psicanalista e psicólogo são a mesma coisa?
Não. Psicólogo é profissão regulamentada, com registro obrigatório no CRP. Psicanalista é quem se formou em psicanálise, que no Brasil não é profissão regulamentada; há psicanalistas que são psicólogos, com CRP, e há os que não são.
Como saber se um psicanalista tem CRP?
Quando o psicanalista também é psicólogo, o nome e o número do CRP podem ser consultados no Cadastro Nacional de Profissionais de Psicologia, do Conselho Federal de Psicologia. A página de como verificamos o CRP explica o passo a passo.
Toda sessão de psicanálise é no divã?
Não necessariamente. O uso do divã, a frequência semanal e a duração dos encontros variam conforme o profissional, a linha teórica e o que é combinado com o paciente.
Quanto tempo dura uma análise?
Em geral não há prazo fixo definido de antemão. A duração varia conforme o caso e costuma ser conversada ao longo do próprio processo com o profissional.
Fontes
- Freud e Lacan explicam (Instituto de Psicologia da USP)Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, consultado em 28 de setembro de 2026
- Radiodocumentário celebra os 165 anos de Sigmund Freud (Jornal da USP)Universidade de São Paulo, consultado em 28 de setembro de 2026
- Nota de orientação sobre o exercício da psicanálise e da psicoterapia por não-psicólogas/osConselho Regional de Psicologia da 3ª Região (BA), consultado em 28 de setembro de 2026
- Conselho Profissional (Federação Brasileira de Psicanálise)Federação Brasileira de Psicanálise (Febrapsi), consultado em 28 de setembro de 2026
- Lei nº 5.766, de 20 de dezembro de 1971Presidência da República, consultado em 28 de setembro de 2026
- Psicoterapia (Perguntas frequentes do CRP 12)Conselho Regional de Psicologia da 12ª Região (SC), consultado em 28 de setembro de 2026
- Resolução sobre Psicoterapia é publicada no Diário Oficial da UniãoConselho Federal de Psicologia, consultado em 28 de setembro de 2026
- Cadastro Nacional de Profissionais de PsicologiaConselho Federal de Psicologia, consultado em 28 de setembro de 2026
- CVV, Centro de Valorização da VidaCentro de Valorização da Vida, consultado em 28 de setembro de 2026