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Psicólogos Perto

Psicanálise: o que é e como funciona

A psicanálise criada por Freud, como costuma ser a sessão, onde se forma o psicanalista e a diferença entre psicanalista e psicólogo com CRP.

Conteúdo de saúde. Este texto informa sobre o acesso a serviços; não substitui atendimento. Se o sofrimento estiver intenso agora, o CVV atende pelo 188, de graça, 24 horas.

A psicanálise é uma forma de tratamento pela fala criada por Sigmund Freud. Segundo o Instituto de Psicologia da USP, ela é um método de psicoterapia pautado na exploração do inconsciente, com a associação livre por parte do paciente e a interpretação por parte do psicanalista. Além de método clínico, a psicanálise também se tornou uma escola de pensamento sobre a cultura e a sociedade.

Esta página descreve a abordagem nos seus próprios termos: de onde vem, como costuma funcionar, onde se forma um psicanalista e por que vale conferir se o profissional também é psicólogo com CRP.

De onde vem a psicanálise

Sigmund Freud nasceu na Áustria em 1856 e era médico neurologista. A obra que costuma ser tratada como marco inaugural da psicanálise é A interpretação dos sonhos, publicada em novembro de 1899, mas já com a data de 1900. Com base nesse trabalho, Freud passa a organizar uma teoria sobre a vida psíquica em que o inconsciente ocupa o centro.

Ao longo do século XX, a psicanálise se diversificou em várias correntes, com autores que retomaram, revisaram ou ampliaram as ideias de Freud. Hoje é comum ouvir falar em psicanálise freudiana, lacaniana, kleiniana e winnicottiana, entre outras. Cada corrente tem vocabulário e manejo clínico próprios, mas todas se reconhecem na mesma tradição.

Princípios da abordagem

Nos termos da própria psicanálise, parte importante do que uma pessoa sente, repete e sofre não passa pela consciência. O inconsciente se manifesta em sonhos, lapsos, esquecimentos, sintomas e nas repetições da vida afetiva. O trabalho analítico busca dar lugar a esse material pela palavra.

Alguns conceitos aparecem em quase todas as correntes:

  • Associação livre: o paciente é convidado a falar o que vier à mente, sem selecionar o que parece importante ou apropriado.
  • Escuta e interpretação: o psicanalista escuta de forma atenta e, em certos momentos, intervém para abrir sentidos no que foi dito.
  • Transferência: os afetos que o paciente dirige ao analista são tratados como parte do próprio trabalho clínico.
  • Singularidade: a psicanálise não parte de um roteiro padronizado. O percurso é construído caso a caso.

Como costuma funcionar na prática

O início costuma ser um período de entrevistas iniciais, em que o paciente conta por que chegou e o profissional escuta para entender a demanda. Depois disso, combinam-se as condições do tratamento: frequência, horário, valor e o formato dos encontros.

Nas sessões, o paciente fala e o analista escuta. Não há exercícios nem tarefas para casa, em geral. O analista pode fazer perguntas, pontuar uma frase ou propor uma interpretação, e também pode ficar em silêncio por longos trechos. Esse silêncio faz parte do método e não significa desatenção.

Formato e duração das sessões

O formato varia bastante. Algumas sessões acontecem no divã, com o analista fora do campo de visão do paciente. Outras acontecem frente a frente, em poltronas. A frequência pode ser de um ou mais encontros por semana, conforme o que for combinado, e a duração de cada sessão também varia entre correntes: em algumas ela é fixa, em outras o tempo é variável.

A análise costuma ser um processo sem prazo definido de antemão. A duração depende do caso e é conversada ao longo do tratamento. O atendimento online também existe na psicanálise; a página sobre psicólogo online explica como ele funciona.

Para que tipo de demanda é usada

Na literatura da própria psicanálise, a abordagem é descrita como uma forma de tratar o sofrimento psíquico em sentido amplo: angústias, inibições, repetições que a pessoa não consegue explicar, dificuldades nos vínculos, no trabalho, no amor e na relação consigo mesma. Ela também é buscada por quem quer se conhecer sem ter uma queixa definida.

A psicanálise atende crianças, adolescentes e adultos, com adaptações de manejo em cada caso. Com crianças, por exemplo, o brincar costuma entrar como forma de expressão. A abordagem não promete resultado nem prazo: o que acontece em cada análise depende do percurso de cada pessoa.

Psicanalista não é profissão regulamentada

Este é o ponto que mais gera confusão. Segundo nota de orientação do Conselho Regional de Psicologia da Bahia (CRP-03), a psicanálise e a psicoterapia não são profissões regulamentadas no Brasil e, por isso, não têm conselho de profissão para orientar, fiscalizar e receber denúncias. A própria Federação Brasileira de Psicanálise afirma que, no Brasil, a psicanálise é um ofício, não uma profissão regulamentada por lei.

Na prática, isso significa que existem dois tipos de psicanalista:

  • Psicólogo psicanalista: é psicólogo, tem registro no Conselho Regional de Psicologia e responde ao Código de Ética da profissão. A Lei nº 5.766/1971 exige que todo profissional de Psicologia esteja inscrito no Conselho Regional para exercer a profissão.
  • Psicanalista sem formação em Psicologia: pode atuar como psicanalista, mas não tem CRP. O CRP-03 lembra que, nesse caso, o conselho não tem como abrir processo ético, e a instância para denúncias é a justiça comum.

O mesmo vale para o título de psicoterapeuta. O CRP de Santa Catarina explica que nem todo psicoterapeuta é psicólogo, porque a psicoterapia não tem regulamentação própria. A diferença está explicada em detalhe em diferença entre psicólogo, psiquiatra e psicanalista.

Onde se forma um psicanalista

A formação em psicanálise acontece fora da graduação, em sociedades e institutos psicanalíticos, e também em programas de pós-graduação de universidades que pesquisam a teoria. A tradição clássica, descrita pela Febrapsi, se apoia num tripé: análise pessoal, supervisão clínica com analistas experientes e seminários teóricos e clínicos. Por isso a formação costuma levar anos.

Quando quem faz essa formação é psicólogo, ele continua sujeito às normas do Conselho Federal de Psicologia. A Resolução CFP nº 13/2022 trata das diretrizes da psicoterapia feita por psicólogos e estabelece critérios para a utilização da abordagem psicoterapêutica.

Como conferir o CRP do profissional

Se o psicanalista se apresenta como psicólogo, o nome e o número do registro podem ser conferidos no Cadastro Nacional de Profissionais de Psicologia, mantido pelo Conselho Federal de Psicologia. A página como verificamos o CRP mostra como este site faz essa conferência e como qualquer pessoa pode repeti-la. O artigo como conferir o CRP do psicólogo detalha o caminho.

Na busca por cidade, os perfis de psicólogos trazem o CRP conferido e a data da conferência. Para quem não pode pagar, existem caminhos gratuitos e de preço social descritos em psicólogo gratuito e em clínica-escola de psicologia.

Se o sofrimento estiver pesado agora, o CVV atende pelo telefone 188, de graça e 24 horas por dia. A página em crise: onde buscar ajuda agora reúne os caminhos imediatos.

Outras abordagens descritas neste site: psicologia analítica, terapia cognitivo-comportamental e abordagem fenomenológico-existencial. O guia como escolher um psicólogo reúne perguntas úteis para a primeira conversa.

A escolha da abordagem se faz na conversa com o profissional, levando em conta a história e as necessidades de cada pessoa. Este site não indica abordagem para casos individuais.

Perguntas frequentes

Psicanalista e psicólogo são a mesma coisa?

Não. Psicólogo é profissão regulamentada, com registro obrigatório no CRP. Psicanalista é quem se formou em psicanálise, que no Brasil não é profissão regulamentada; há psicanalistas que são psicólogos, com CRP, e há os que não são.

Como saber se um psicanalista tem CRP?

Quando o psicanalista também é psicólogo, o nome e o número do CRP podem ser consultados no Cadastro Nacional de Profissionais de Psicologia, do Conselho Federal de Psicologia. A página de como verificamos o CRP explica o passo a passo.

Toda sessão de psicanálise é no divã?

Não necessariamente. O uso do divã, a frequência semanal e a duração dos encontros variam conforme o profissional, a linha teórica e o que é combinado com o paciente.

Quanto tempo dura uma análise?

Em geral não há prazo fixo definido de antemão. A duração varia conforme o caso e costuma ser conversada ao longo do próprio processo com o profissional.

Fontes

  1. Freud e Lacan explicam (Instituto de Psicologia da USP)Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, consultado em 28 de setembro de 2026
  2. Radiodocumentário celebra os 165 anos de Sigmund Freud (Jornal da USP)Universidade de São Paulo, consultado em 28 de setembro de 2026
  3. Nota de orientação sobre o exercício da psicanálise e da psicoterapia por não-psicólogas/osConselho Regional de Psicologia da 3ª Região (BA), consultado em 28 de setembro de 2026
  4. Conselho Profissional (Federação Brasileira de Psicanálise)Federação Brasileira de Psicanálise (Febrapsi), consultado em 28 de setembro de 2026
  5. Lei nº 5.766, de 20 de dezembro de 1971Presidência da República, consultado em 28 de setembro de 2026
  6. Psicoterapia (Perguntas frequentes do CRP 12)Conselho Regional de Psicologia da 12ª Região (SC), consultado em 28 de setembro de 2026
  7. Resolução sobre Psicoterapia é publicada no Diário Oficial da UniãoConselho Federal de Psicologia, consultado em 28 de setembro de 2026
  8. Cadastro Nacional de Profissionais de PsicologiaConselho Federal de Psicologia, consultado em 28 de setembro de 2026
  9. CVV, Centro de Valorização da VidaCentro de Valorização da Vida, consultado em 28 de setembro de 2026

Como se escolhe a abordagem

A escolha da abordagem se dá na conversa com o profissional. Este site não indica abordagem para casos individuais e não compara a eficácia de uma com outra. Veja como escolher um psicólogo.

Outras abordagens