Conteúdo de saúde. Este texto informa sobre o acesso a serviços; não substitui atendimento. Se o sofrimento estiver intenso agora, o CVV atende pelo 188, de graça, 24 horas.
Levar um filho ao psicólogo costuma vir acompanhado de dúvidas e, às vezes, de culpa. O que vai acontecer nas sessões? Os pais entram junto? O psicólogo vai contar o que a criança disse? E a escola, fica sabendo? Na psicologia infantil, a família faz parte do trabalho de um jeito que não acontece no atendimento de adultos. Este texto explica como essa relação costuma funcionar e o que dizem as normas do Conselho Federal de Psicologia, o CFP. Para os caminhos de acesso, gratuitos e pagos, veja psicólogo para criança.
Quem autoriza o atendimento
Criança não inicia sozinha um acompanhamento psicológico. Pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, o ECA, criança é a pessoa até doze anos incompletos. O Código de Ética Profissional do Psicólogo, no artigo 8º, determina que, para atendimento não eventual de criança, o psicólogo obtenha autorização de ao menos um dos responsáveis.
Na psicoterapia, a Resolução CFP nº 13, de 2022, detalha: a autorização deve ser por escrito, de ao menos um responsável legalmente constituído, antes do início do acompanhamento. A resolução traz até um modelo de termo de autorização como anexo.
"Ao menos um" é um ponto que gera dúvida em famílias com pais separados. A norma pede a autorização de pelo menos um responsável. Situações de conflito entre os responsáveis sobre o atendimento costumam ser conversadas com o profissional desde o início, porque afetam o trabalho.
Como a família participa
A mesma resolução prevê que o psicólogo proponha a participação dos responsáveis no acompanhamento do processo e os acione sempre que necessário. Isso quer dizer que o trabalho com criança costuma incluir encontros com os adultos, não só com a criança.
Na prática, é comum que o processo tenha alguns momentos com os pais:
- Entrevistas iniciais. Antes de atender a criança, o psicólogo costuma conversar com os responsáveis sobre a história dela, a rotina, a gestação, o desenvolvimento, a escola e o que motivou a busca.
- Encontros periódicos. Ao longo do processo, o profissional pode chamar os pais para conversar sobre como a criança está, sobre mudanças em casa e sobre o que a família pode observar.
- Devolutiva. Em alguns momentos, o psicólogo compartilha com a família uma leitura geral do processo, sempre dentro dos limites do sigilo.
A frequência e o formato variam conforme o profissional, a abordagem e a idade da criança. Este site não indica abordagem para casos individuais.
Como costuma ser o começo para a família
Muitos pais chegam ao primeiro contato sem saber o que dizer. Não é preciso ter um diagnóstico nem uma explicação pronta. Em geral, o psicólogo quer entender o que a família observou, desde quando, em quais situações e o que já foi tentado. Relatórios da escola, cadernos ou recados de professores às vezes ajudam a contar essa história.
Outra dúvida comum é como explicar para a criança que ela vai ao psicólogo. Não há fórmula. Muitas famílias usam palavras simples, sem tom de castigo, dizendo que é um lugar para conversar e brincar com alguém que ajuda crianças. O próprio profissional pode orientar a família sobre isso no primeiro encontro.
O que acontece na sessão com a criança
Criança pequena nem sempre fala sobre o que sente. Por isso, o brincar, o desenho e as histórias costumam ser parte importante do atendimento. Um adulto de fora pode achar que "a criança só está brincando", mas é por esse caminho que muitas crianças conseguem expressar o que vivem.
Com crianças maiores, a conversa costuma ganhar mais espaço. Em qualquer idade, a sessão é da criança. Os pais normalmente não ficam na sala, salvo quando o profissional combina de outra forma.
A gravação de sessões também tem regra própria. Pela Resolução CFP 13/2022, a gravação de atendimento de criança depende do consentimento livre, prévio, informado e por escrito dos responsáveis, e da concordância da própria criança.
O que o psicólogo conta aos pais
Esta é a dúvida mais frequente. O Código de Ética, no artigo 13, diz que, no atendimento à criança, deve ser comunicado aos responsáveis o estritamente essencial para se promoverem medidas em seu benefício.
Em outras palavras: os pais recebem as informações necessárias para ajudar a criança, mas não um relato do que ela disse sessão por sessão. Esse cuidado protege a confiança da criança no espaço da terapia. Sem ele, muitas crianças deixariam de falar.
O ECA também protege a integridade psíquica da criança e a preservação da sua identidade e autonomia. O sigilo com a criança é uma forma de respeitar isso. Para entender o sigilo de forma geral, veja sigilo do psicólogo.
Quando o sigilo cede
Há situações em que o psicólogo compartilha mais. A principal é a violência. Pelo ECA, casos de suspeita ou confirmação de maus-tratos contra criança são obrigatoriamente comunicados ao Conselho Tutelar. E a Resolução CFP 13/2022 prevê que, ao ter informação sobre violência ou suspeita de violência contra a criança, o psicólogo preencha o formulário de notificação obrigatória do Ministério da Saúde e o encaminhe ao Conselho Tutelar ou autoridade competente.
Nesses casos, a regra do Código é o menor prejuízo: o psicólogo compartilha as informações estritamente necessárias para proteger a criança.
E a escola?
A escola muitas vezes é quem sugere a busca por psicólogo, e pode ter informações úteis. O contato entre psicólogo e escola, quando acontece, costuma ser combinado com os responsáveis. O mesmo cuidado com o sigilo vale aqui: a escola recebe só o que ajuda a criança no ambiente escolar.
Se a escola pedir um documento, o psicólogo emite o tipo adequado ao pedido e à finalidade. Veja psicólogo pode dar atestado.
Onde buscar atendimento para criança
Há caminhos gratuitos:
- UBS. É a porta de entrada do SUS. Veja encaminhamento na UBS.
- CAPS i. Atende crianças e adolescentes com sofrimento psíquico intenso, e os caminhos de acesso são gratuitos pelo SUS. Veja o que é CAPS.
- Clínica-escola. Universidades costumam atender crianças. Veja clínica-escola de psicologia.
No particular, a busca por cidade mostra psicólogos com CRP conferido.
Se a família estiver atravessando um momento de muito sofrimento, o CVV oferece apoio emocional gratuito pelo 188, 24 horas, e a página em crise: onde buscar ajuda agora reúne os contatos imediatos. O atendimento psicológico no SUS, pela UBS e pelo CAPS, é gratuito.
Perguntas frequentes
Os dois pais precisam autorizar o atendimento da criança?
O Código de Ética exige autorização de ao menos um dos responsáveis para atendimento não eventual. Na psicoterapia, a Resolução CFP 13/2022 pede que essa autorização seja por escrito, antes do início.
O psicólogo conta aos pais tudo o que a criança fala?
Não. O Código de Ética prevê que seja comunicado aos responsáveis o estritamente essencial para promover medidas em benefício da criança. O restante fica protegido pelo sigilo.
Os pais participam da terapia infantil?
Costumam participar. A Resolução CFP 13/2022 prevê que o psicólogo proponha a participação dos responsáveis no acompanhamento e os acione sempre que necessário. A forma varia conforme o profissional e o caso.
Existe psicólogo infantil gratuito?
Sim. Pelo SUS, a porta de entrada é a UBS, e o CAPS i atende crianças com sofrimento psíquico intenso. Clínicas-escola de universidades também costumam atender crianças.
Fontes
- Código de Ética Profissional do PsicólogoConselho Federal de Psicologia, consultado em 28 de setembro de 2026
- Resolução CFP nº 13, de 15 de junho de 2022 (psicoterapia)Conselho Federal de Psicologia, consultado em 28 de setembro de 2026
- Orientação Técnica, Quebra de sigiloConselho Regional de Psicologia 18ª Região (MT), consultado em 28 de setembro de 2026
- Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente)Presidência da República, consultado em 28 de setembro de 2026
- Centros de Atenção Psicossocial (CAPS)Ministério da Saúde, consultado em 28 de setembro de 2026
- CVV, Centro de Valorização da VidaCVV, consultado em 28 de setembro de 2026