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Abordagem fenomenológico-existencial: o que é e como funciona

A abordagem fenomenológico-existencial une a fenomenologia e a filosofia da existência à clínica. Veja origem, princípios, sessões e como conferir o CRP.

Conteúdo de saúde. Este texto informa sobre o acesso a serviços; não substitui atendimento. Se o sofrimento estiver intenso agora, o CVV atende pelo 188, de graça, 24 horas.

A abordagem fenomenológico-existencial reúne formas de psicoterapia inspiradas em duas tradições da filosofia: a fenomenologia, que descreve a experiência como ela aparece para quem a vive, e a filosofia da existência, que pensa questões como liberdade, escolha, angústia, finitude e sentido. Na busca pela expressão fenomenologia existencial na psicologia, é desse campo que se está falando.

Esta página descreve a abordagem nos seus próprios termos: origem, princípios, como costuma ser a sessão, onde o psicólogo se forma e como conferir o registro do profissional.

De onde vem a abordagem fenomenológico-existencial

Segundo artigo da revista Psicologia: Teoria e Pesquisa, o termo fenomenologia é reconhecido por nomear o método desenvolvido por Edmund Husserl, que viveu de 1859 a 1938, para estudar a experiência consciente. Depois, o método foi usado, com modificações, por Martin Heidegger, que viveu de 1889 a 1976, para a analítica da existência. Heidegger publicou Ser e Tempo em 1927.

A aproximação com a clínica começou cedo. O mesmo artigo aponta o livro Psicopatologia Geral, de Karl Jaspers, de 1913, como exemplo pioneiro de fenomenologia clínica. Na década de 1940, surgem proposições de psicoterapia fenomenológico-existencial nos trabalhos de Ludwig Binswanger e Viktor Frankl. Binswanger e Medard Boss formularam propostas clínicas inspiradas na analítica do Dasein de Heidegger, conhecidas como daseinsanálise. Em 1958, a obra Existence, organizada pelo psicólogo Rollo May e colaboradores, levou essas ideias à América do Norte.

No Brasil, o artigo registra como obra de referência o texto sobre psicologia fenomenológica de Forghieri, de 1993. O campo tem ramificações em várias teorias humanistas e dialoga com abordagens como a gestalt-terapia.

Princípios da abordagem

Nos termos da própria abordagem, cada pessoa é compreendida como um ser no mundo, sempre em relação com os outros, com o tempo e com as situações que vive. Alguns princípios aparecem em quase todas as linhas:

  • Compreender antes de explicar: o terapeuta busca entender a experiência do paciente como ela é vivida, sem encaixá-la de saída numa teoria.
  • Suspensão de pressupostos: inspirada no método de Husserl, é a atitude de pôr entre parênteses as ideias prontas para olhar a experiência com mais abertura.
  • Liberdade e responsabilidade: a existência é vista como um conjunto de possibilidades, e a terapia ajuda a pessoa a se apropriar das próprias escolhas.
  • Presença e encontro: a relação terapêutica é entendida como encontro entre duas pessoas. Na literatura da abordagem, a ênfase da terapia existencial está na presença.

Como costuma funcionar na prática

A sessão costuma ser uma conversa. O paciente fala do que está vivendo, e o terapeuta acompanha a forma como ele experimenta essas situações: o que sente, como percebe o tempo, os outros e a si mesmo, que sentido dá ao que acontece. Em vez de interpretar de fora, o terapeuta devolve perguntas e descrições que ajudam a pessoa a olhar a própria experiência.

Na tradição clínica descrita na literatura, a técnica acompanha a compreensão do terapeuta, e não o contrário. As técnicas são versáteis e variam de paciente para paciente e de uma fase a outra do processo. Os sonhos, quando aparecem, são entendidos como uma forma específica de existir, e não como algo a ser decifrado por um código fixo.

Formato e duração das sessões

As sessões costumam ser individuais, e a abordagem também é usada com casais, famílias e grupos. A frequência e a duração de cada encontro são combinadas no início e variam conforme o caso e o profissional.

A duração total não costuma ser fixada de antemão. O artigo quanto tempo dura a terapia explica por que não existe número fixo. O atendimento pode ser presencial ou online.

Para que tipo de demanda é usada

Na literatura da própria abordagem, a psicoterapia fenomenológico-existencial é descrita como uma forma de acompanhar o sofrimento psíquico em sentido amplo, com atenção especial às questões de sentido, às perdas, às escolhas difíceis, às passagens da vida e à forma como a pessoa se relaciona com a própria existência. Ela aparece em consultórios e também em instituições de saúde.

O que acontece em cada terapia depende da pessoa e do processo. Nenhuma abordagem promete resultado, e a avaliação de cada caso é feita pelo profissional.

Onde o psicólogo se forma nessa abordagem

A graduação em Psicologia costuma apresentar a fenomenologia e as abordagens humanistas. O aprofundamento vem depois, em programas de pós-graduação de universidades públicas com linhas de pesquisa na área, em formação continuada, em especialização e em atendimento supervisionado. O artigo citado registra o surgimento de sociedades e a abertura de centros de formação, acadêmicos e profissionais, ligados a esse campo.

Quando o profissional é psicólogo, ele segue as normas do Conselho Federal de Psicologia. A Resolução CFP nº 13/2022 trata das diretrizes da psicoterapia feita por psicólogos e estabelece critérios para a utilização da abordagem psicoterapêutica.

Como conferir o CRP do profissional

Todo psicólogo precisa estar inscrito no Conselho Regional de Psicologia para exercer a profissão, como determina a Lei nº 5.766/1971. Já o título de psicoterapeuta não é exclusivo: o CRP de Santa Catarina explica que nem todo psicoterapeuta é psicólogo, porque a psicoterapia não tem regulamentação própria. O artigo psicólogo e terapeuta sem formação aprofunda essa diferença.

O nome e o número do CRP podem ser conferidos no Cadastro Nacional de Profissionais de Psicologia, do Conselho Federal de Psicologia. A página como verificamos o CRP mostra como este site faz essa conferência. Na busca por cidade, os perfis de psicólogos trazem o CRP conferido e a data da conferência.

Quem não pode pagar encontra caminhos gratuitos em psicólogo gratuito e em clínica-escola de psicologia. Se o sofrimento estiver pesado agora, o CVV atende pelo telefone 188, de graça e 24 horas por dia, e a página em crise: onde buscar ajuda agora reúne os caminhos imediatos.

Outras abordagens descritas neste site: psicanálise, psicologia analítica e terapia sistêmica e familiar. O guia como escolher um psicólogo reúne perguntas úteis para a primeira conversa.

A escolha da abordagem se faz na conversa com o profissional, levando em conta a história e as necessidades de cada pessoa. Este site não indica abordagem para casos individuais.

Perguntas frequentes

O que quer dizer fenomenológico-existencial?

Fenomenológico se refere ao método de descrever a experiência como ela aparece para quem a vive. Existencial se refere às questões da existência humana, como liberdade, escolha, finitude e sentido.

Daseinsanálise faz parte dessa abordagem?

Sim. A daseinsanálise, ligada a Ludwig Binswanger e Medard Boss, é uma das linhas clínicas inspiradas na filosofia de Heidegger e faz parte do campo fenomenológico-existencial.

Como é uma sessão na abordagem fenomenológico-existencial?

Em geral, é uma conversa em que o terapeuta busca compreender a experiência do paciente como ele a vive, sem partir de explicações prontas. O uso de técnicas varia e acompanha essa compreensão.

Essa abordagem é uma filosofia ou uma psicoterapia?

As duas coisas se encontram. A base é filosófica, mas a prática clínica feita por psicólogos é psicoterapia e segue as normas do Conselho Federal de Psicologia.

Fontes

  1. Clínica fenomenológica, do método de pesquisa para a prática psicoterapêutica (Psicologia, Teoria e Pesquisa)Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília (revista Psicologia, Teoria e Pesquisa, SciELO), consultado em 28 de setembro de 2026
  2. Possíveis contribuições de Husserl e Heidegger para a clínica fenomenológica (Psicologia em Estudo)Universidade Estadual de Maringá (revista Psicologia em Estudo, SciELO), consultado em 28 de setembro de 2026
  3. Lei nº 5.766, de 20 de dezembro de 1971Presidência da República, consultado em 28 de setembro de 2026
  4. Psicoterapia (Perguntas frequentes do CRP 12)Conselho Regional de Psicologia da 12ª Região (SC), consultado em 28 de setembro de 2026
  5. Resolução sobre Psicoterapia é publicada no Diário Oficial da UniãoConselho Federal de Psicologia, consultado em 28 de setembro de 2026
  6. CVV, Centro de Valorização da VidaCentro de Valorização da Vida, consultado em 28 de setembro de 2026

Como se escolhe a abordagem

A escolha da abordagem se dá na conversa com o profissional. Este site não indica abordagem para casos individuais e não compara a eficácia de uma com outra. Veja como escolher um psicólogo.

Outras abordagens