Conteúdo de saúde. Este texto informa sobre o acesso a serviços; não substitui atendimento. Se o sofrimento estiver intenso agora, o CVV atende pelo 188, de graça, 24 horas.
Nem todo encontro entre paciente e psicólogo dá certo. Às vezes o horário deixou de caber, o valor ficou pesado, a pessoa mudou de cidade ou de plano. Às vezes a conversa simplesmente não flui, ou a pessoa sente que não está sendo compreendida. Em todos esses casos, surge a pergunta: posso trocar de psicólogo? A resposta é sim. Este texto explica o que dizem as normas da profissão, como a troca costuma acontecer, quais documentos podem ser pedidos e o que acontece com o que foi dito nas sessões.
Trocar é um direito
A Resolução CFP nº 13, de 2022, que regula a psicoterapia feita por psicólogo, determina que o profissional estabeleça um contrato, verbal ou escrito, com quem é atendido. Esse contrato precisa deixar claros os direitos e deveres das partes, inclusive a possibilidade de interrupção do serviço a qualquer momento.
Ou seja, a possibilidade de encerrar está prevista desde o primeiro dia. Não é uma quebra de acordo. O Código de Ética Profissional do Psicólogo também prevê que os acordos de prestação de serviço respeitem os direitos do usuário, e veda ao psicólogo prolongar desnecessariamente a prestação de serviços.
Trocar de psicólogo não quer dizer que o profissional anterior errou. Afinidade, estilo, abordagem, momento de vida e logística pesam. Um profissional pode ser adequado para uma pessoa e não para outra.
Sinais que costumam levar à troca
Não existe lista oficial de motivos, e ninguém precisa de um motivo "forte o bastante". Algumas situações aparecem com frequência:
- Dificuldade de se sentir à vontade depois de algumas sessões.
- Mudança de cidade, de horário de trabalho ou de plano de saúde.
- Valor que deixou de caber no orçamento.
- Vontade de conhecer outra abordagem.
- Sensação de que o processo parou, e a conversa sobre isso com o profissional não mudou nada.
No último caso, vale saber que o próprio psicólogo pode, e costuma, conversar sobre isso. Levar o incômodo para a sessão às vezes faz o trabalho andar. Mas essa conversa é uma possibilidade, não uma obrigação.
Como costuma ser a saída
Não há um jeito único. As formas mais comuns são:
- Conversar numa sessão de encerramento. Muitas pessoas preferem dizer, na própria sessão, que vão encerrar. Isso abre espaço para fechar o que ficou em aberto e para pedir indicações ou documentos.
- Avisar por mensagem. Também é uma forma válida, principalmente quando a conversa presencial parece difícil demais.
- Não justificar. A pessoa não é obrigada a explicar o motivo.
Vale conferir o que foi combinado no contrato sobre aviso prévio e sessões desmarcadas, porque isso pode envolver cobrança. Esses pontos variam de profissional para profissional.
Documentos que podem ser pedidos
O Código de Ética prevê, entre os deveres do psicólogo, orientar sobre os encaminhamentos apropriados e fornecer, sempre que solicitado, os documentos pertinentes ao bom termo do trabalho.
O documento mais comum numa troca é o relatório psicológico. Segundo o Manual Orientativo de Registro e Elaboração de Documentos Psicológicos, publicado pelo CFP em 2025, o relatório tem o objetivo de comunicar a atuação profissional, concluída ou em andamento, com caráter informativo e não diagnóstico, e pode trazer orientações e encaminhamentos. Ele pode ajudar o novo profissional a entender o percurso, se a pessoa quiser entregá-lo.
Pelo mesmo manual, o registro do atendimento inclui um campo de encaminhamento ou encerramento, e as pessoas atendidas devem ser informadas sobre seu direito de acesso ao prontuário. Quem quiser pode pedir esses documentos ao profissional ou ao serviço.
Continuidade do cuidado
Quando é o psicólogo que não pode continuar o atendimento, por motivo justificável, o Código prevê que ele sugira outros psicólogos e forneça ao substituto as informações necessárias à continuidade do trabalho.
Quando a troca parte do paciente, o novo psicólogo só recebe informações do anterior se o paciente quiser. Nada obriga a pessoa a contar ao novo profissional tudo de novo, nem a levar documento algum. Muitas pessoas começam do zero, e isso também funciona.
O sigilo continua depois do fim
O que foi dito ao psicólogo anterior continua protegido. Segundo o CRP da 10ª Região, mesmo após o término de um trabalho, o sigilo das informações deve ser mantido. Encerrar o atendimento não libera o profissional para comentar o caso. Veja mais em sigilo do psicólogo.
Trocar no SUS, na clínica-escola ou no plano
No SUS e na clínica-escola, a troca costuma passar pela coordenação do serviço. A vaga com outro profissional depende da oferta local, e pode haver espera. Vale conversar com a recepção ou a coordenação.
No plano de saúde, a pessoa pode buscar outro psicólogo da rede. O prazo máximo de atendimento definido pela ANS vale para a rede conveniada, e não para um profissional específico. Veja psicólogo pelo plano de saúde.
E se der vontade de voltar?
Acontece. Às vezes a pessoa sai, experimenta outro profissional e percebe que o vínculo anterior fazia sentido. Voltar é possível quando o psicólogo anterior tem disponibilidade e os dois concordam em retomar. Não existe regra que impeça.
Também é comum ficar um tempo sem terapia antes de começar com outra pessoa. Pausas fazem parte de muitos percursos. Se a decisão de sair veio num momento de muito sofrimento, é importante saber que existem portas de apoio imediato, como o CVV, no 188, e a página em crise: onde buscar ajuda agora.
Quando a troca vem de um problema ético
Às vezes a saída acontece por algo mais sério: quebra de sigilo, cobrança fora do combinado, promessa de resultado, relação pessoal inadequada. Os Conselhos Regionais de Psicologia fiscalizam o exercício da profissão com base na Lei nº 5.766, de 1971. Dúvidas e denúncias podem ser levadas ao CRP da região. Antes de escolher o próximo profissional, é possível conferir o CRP. Veja também como escolher um psicólogo e a busca por cidade.
O atendimento psicológico no SUS, pela UBS e pelo CAPS, é gratuito. E o CVV oferece apoio emocional gratuito pelo 188, a qualquer hora.
Perguntas frequentes
Posso trocar de psicólogo?
Sim. A Resolução CFP 13/2022 prevê que o contrato de psicoterapia deixe clara a possibilidade de interrupção do serviço a qualquer momento. Trocar de profissional é um direito de quem é atendido.
Preciso explicar ao psicólogo por que estou saindo?
Não há obrigação de justificar. Muitas pessoas preferem conversar sobre a saída numa última sessão, mas isso é escolha de quem é atendido.
O novo psicólogo vai ter acesso ao que falei antes?
Só se a pessoa quiser. O sigilo continua depois do fim do atendimento. Documentos como relatório psicológico podem ser pedidos ao profissional anterior para facilitar a continuidade.
Trocar de psicólogo muitas vezes é ruim?
Não existe regra sobre número de trocas. O vínculo com o profissional faz parte do trabalho, e a decisão de ficar ou sair é de quem é atendido.
Fontes
- Resolução CFP nº 13, de 15 de junho de 2022 (psicoterapia)Conselho Federal de Psicologia, consultado em 28 de setembro de 2026
- Código de Ética Profissional do PsicólogoConselho Federal de Psicologia, consultado em 28 de setembro de 2026
- Manual Orientativo de Registro e Elaboração de Documentos PsicológicosConselho Federal de Psicologia, consultado em 28 de setembro de 2026
- Sigilo Profissional, perguntas frequentesConselho Regional de Psicologia 10ª Região (PA/AP), consultado em 28 de setembro de 2026
- CFP e Apaf divulgam nota de esclarecimento sobre a Psicologia do Esporte, coaching e Sistema ConselhosConselho Federal de Psicologia, consultado em 28 de setembro de 2026
- Prazos para realização de consultas, exames, terapias e internaçõesAgência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), consultado em 28 de setembro de 2026