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Psicólogos Perto

Psicologia jurídica: o que é e como funciona

A psicologia jurídica é a área da psicologia ligada ao sistema de Justiça, com atuação em varas, sistema prisional, socioeducativo e mediação.

Conteúdo de saúde. Este texto informa sobre o acesso a serviços; não substitui atendimento. Se o sofrimento estiver intenso agora, o CVV atende pelo 188, de graça, 24 horas.

O que é a psicologia jurídica

A psicologia jurídica é uma área de atuação da psicologia. Na Resolução CFP nº 23/2022, que reconhece as especialidades da profissão, ela é descrita como a área de atuação profissional da psicologia no âmbito do sistema de Justiça, e também em serviços de segurança pública e nos sistemas que executam decisões judiciais, como o prisional e o socioeducativo.

O público costuma encontrar esse profissional quando um processo envolve questões psicológicas: uma disputa de guarda, um pedido de adoção, a proteção de uma criança, o cumprimento de uma pena. Nesses casos, o psicólogo não está ali, em geral, para fazer terapia, e entender isso ajuda a saber o que esperar.

Abordagem e área de atuação não são a mesma coisa

Abordagem é o referencial teórico que orienta uma psicoterapia, como a psicanálise ou a terapia sistêmica e familiar. Área de atuação é o campo em que o psicólogo trabalha. A psicologia jurídica é uma área: o psicólogo jurídico pode ter como referência diferentes abordagens, e o trabalho dele segue as regras próprias do contexto judicial.

Origem e reconhecimento no Brasil

A psicologia jurídica faz parte da primeira lista de especialidades do Conselho Federal de Psicologia (CFP), criada pela Resolução CFP nº 014/00, de 20 de dezembro de 2000, que instituiu o título de especialista em psicologia. Em junho de 2010, o CFP editou a Resolução nº 08/2010, que dispõe sobre a atuação do psicólogo como perito e assistente técnico no Poder Judiciário.

Hoje a área é reconhecida pela Resolução CFP nº 23/2022. O trecho da lista que a inclui diz: "a Psicologia Organizacional e do Trabalho; a Psicologia de Tráfego; a Psicologia Jurídica".

Onde e como costuma funcionar

A ementa da especialidade descreve um campo amplo. Entre as atividades previstas estão:

  • elaborar documentos psicológicos para o sistema de Justiça;
  • mediar conflitos cíveis ligados a convivência, guarda, adoção e interdição, e atuar com mediação, conciliação e práticas restaurativas;
  • compor equipes interprofissionais da Justiça da Infância e Juventude;
  • atender pessoas privadas de liberdade e suas famílias;
  • atuar nos serviços de execução de medidas socioeducativas para adolescentes;
  • participar da formulação de políticas públicas de proteção e de prevenção à violência.

Nos processos, há três papéis diferentes:

  • Perito: segundo o Código de Processo Civil, o juiz nomeia perito especializado no objeto da perícia. O psicólogo perito avalia e entrega um laudo que ajuda a decisão, que continua sendo do juiz.
  • Assistente técnico: o mesmo código diz que os assistentes técnicos são de confiança da parte. É o psicólogo indicado por uma das partes para acompanhar e analisar a perícia.
  • Terapeuta: quem faz psicoterapia com a pessoa ou a família, fora do processo.

O CFP registrou que a sobreposição de papéis entre os psicólogos que elaboram pareceres e os que atuam como terapeutas era um problema frequente, e a Resolução nº 08/2010 estabelece limites para as duas funções. Os documentos escritos pelo psicólogo, como laudos e relatórios, seguem as regras da Resolução CFP nº 06/2019.

Formato e duração

Na perícia, o número de encontros e o prazo dependem do que o juiz pediu e do prazo fixado no processo. Podem incluir entrevistas com as pessoas envolvidas, observação e outros procedimentos de avaliação psicológica escolhidos pelo profissional. No sistema prisional, no socioeducativo e nas equipes das varas, o trabalho segue a rotina de cada serviço. Na mediação, os encontros são combinados entre as partes e o serviço.

Para que tipo de demanda é usada

A área responde a perguntas que surgem dentro da Justiça: questões de convivência familiar, guarda e adoção, proteção de crianças e adolescentes, situações de violência, cumprimento de pena ou de medida socioeducativa. O psicólogo contribui com a compreensão psicológica do caso, e a decisão continua sendo da autoridade judicial.

A área também tem uma face preventiva e de cuidado. A ementa prevê acolhimento, orientação, avaliação e encaminhamento de pessoas envolvidas em situações de violência, inclusive com objetivo preventivo, e a articulação com a rede de proteção, sem substituir os serviços de saúde e de assistência social.

Situações que chegam à Justiça costumam vir acompanhadas de muito sofrimento. Em crise, o CVV atende pelo 188, ligação gratuita, 24 horas por dia, e há outros caminhos em onde buscar ajuda agora.

Formação e título de especialista

O registro de especialista em psicologia jurídica é concedido pelo Conselho Regional de Psicologia a quem comprova, cumulativamente, dois anos de exercício profissional na área e conhecimento teórico-metodológico, por curso de especialização em instituição credenciada ou por concurso de especialista do CFP. Segundo o CFP, esse registro não constitui condição obrigatória para o exercício profissional. Obrigatória é a inscrição no CRP, exigida pela Lei nº 5.766, de 1971.

Como conferir o CRP

O registro pode ser conferido no Cadastro Nacional de Profissionais de Psicologia, mantido pelo CFP, pelo nome ou pelo número de inscrição. O passo a passo está em como verificamos o CRP. Veja também avaliação psicológica, sigilo do psicólogo e a busca de psicólogos por cidade.

A escolha do caminho

A escolha da abordagem, e do tipo de acompanhamento, se faz na conversa com o profissional, que entende o pedido e explica como trabalha. Este site descreve abordagens e áreas para informar e não indica abordagem para casos individuais.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre perito e assistente técnico?

O perito é nomeado pelo juiz e trabalha para o processo. O assistente técnico é de confiança de uma das partes, que o indica. A atuação do psicólogo nas duas funções é regulada pela Resolução CFP nº 08/2010.

O psicólogo perito pode ser terapeuta da mesma família?

O CFP identificou a sobreposição entre elaborar parecer e atender como terapeuta como um problema frequente, e a Resolução CFP nº 08/2010 estabelece limites para essas funções. Avaliação para a Justiça e psicoterapia são trabalhos diferentes.

Psicologia jurídica é uma abordagem?

Não. É uma área de atuação reconhecida como especialidade pelo CFP. O psicólogo jurídico pode ter como referência diferentes abordagens teóricas.

Psicologia jurídica e psicologia forense são a mesma coisa?

Os dois nomes aparecem juntos com frequência. No Brasil, a especialidade reconhecida pelo CFP se chama psicologia jurídica, e a atuação em perícias faz parte dela.

Fontes

  1. Resolução CFP nº 23, de 13 de outubro de 2022, ementa de Psicologia JurídicaConselho Regional de Psicologia de Santa Catarina (CRP-12), consultado em 28 de setembro de 2026
  2. Crepop lança novo documento de atuação do psicólogo em Varas de FamíliaConselho Federal de Psicologia, consultado em 28 de setembro de 2026
  3. Resolução CFP Nº 008/2010Conselho Federal de Psicologia, consultado em 28 de setembro de 2026
  4. Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015, Código de Processo CivilPresidência da República, consultado em 28 de setembro de 2026
  5. SATEPSI, Perguntas FrequentesConselho Federal de Psicologia, consultado em 28 de setembro de 2026
  6. Resolução CFP nº 014/00, de 20 de dezembro de 2000Conselho Federal de Psicologia, consultado em 28 de setembro de 2026
  7. Conselho Federal publica novas regras para obtenção de registro de especialista em PsicologiaConselho Federal de Psicologia, consultado em 28 de setembro de 2026
  8. Lei nº 5.766, de 20 de dezembro de 1971Presidência da República, consultado em 28 de setembro de 2026
  9. Cadastro Nacional de Profissionais de PsicologiaConselho Federal de Psicologia, consultado em 28 de setembro de 2026
  10. CVV, Centro de Valorização da VidaCVV, consultado em 28 de setembro de 2026

Como se escolhe a abordagem

A escolha da abordagem se dá na conversa com o profissional. Este site não indica abordagem para casos individuais e não compara a eficácia de uma com outra. Veja como escolher um psicólogo.

Outras abordagens