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O que é a terapia de aceitação e compromisso
A terapia de aceitação e compromisso é uma abordagem de psicoterapia de base comportamental. No Brasil ela aparece muito pela sigla em inglês, ACT, de Acceptance and Commitment Therapy.
A Association for Contextual Behavioral Science (ACBS), associação internacional que reúne quem pesquisa e pratica a abordagem, descreve a ACT como uma intervenção que combina estratégias de aceitação e de atenção plena com estratégias de compromisso e de mudança de comportamento. O objetivo declarado é aumentar a flexibilidade psicológica: estar em contato com o presente e mudar ou manter um comportamento conforme aquilo que a pessoa valoriza.
Em termos simples, a ACT não parte da ideia de que pensamentos e sentimentos difíceis precisam sumir para a vida seguir. Ela trabalha a relação da pessoa com essas experiências internas e a direção que ela quer dar às próprias ações.
De onde vem a ACT
Uma revisão publicada na PubMed Central, base dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos, registra que a ACT foi desenvolvida no fim dos anos 1980 pelo psicólogo Steven C. Hayes e colegas, como desdobramento da análise do comportamento. O livro que apresentou a abordagem de forma sistemática saiu em 1999, assinado por Steven C. Hayes, Kirk D. Strosahl e Kelly G. Wilson.
A base teórica é a Teoria das Molduras Relacionais, conhecida pela sigla RFT, uma explicação comportamental de como funcionam a linguagem e a cognição humanas. A ACBS resume o ponto central assim: a linguagem pode enredar as pessoas em tentativas inúteis de travar uma guerra contra a própria vida interior. A matriz é a mesma da análise do comportamento e da terapia comportamental.
Princípios, nos termos da própria abordagem
A ACBS organiza a flexibilidade psicológica em seis processos centrais. Cada um é pensado como uma habilidade:
- Aceitação: ensinada como alternativa à esquiva experiencial, isto é, à tentativa constante de fugir de sensações, emoções e lembranças desagradáveis.
- Desfusão cognitiva: mudar a forma de se relacionar com os pensamentos, notando que são pensamentos, e não fatos que precisam comandar o comportamento.
- Contato com o momento presente: atenção ao que acontece agora, sem julgamento automático.
- Eu como contexto: a noção de um ponto de vista estável, de onde se observa o fluxo de experiências sem se confundir com ele.
- Valores: direções de vida escolhidas pela própria pessoa, como família, trabalho, amizade ou comunidade.
- Ação comprometida: passos concretos, pequenos ou grandes, na direção desses valores.
Como costuma funcionar na prática
O trabalho costuma começar por entender o que a pessoa vive hoje, o que ela já tentou fazer com as experiências difíceis e o que importa para ela. Com esse mapa, o psicólogo propõe exercícios e conversas que tocam os seis processos, no ritmo que o caso pede.
Nas sessões são comuns metáforas, exercícios experienciais e práticas de atenção ao presente. Segundo a ACBS, os protocolos de ACT quase sempre envolvem trabalho em sessão e tarefas entre as sessões, com metas ligadas aos valores. Na prática, isso pode significar combinar um pequeno passo para a semana e conversar, no encontro seguinte, sobre o que apareceu no caminho.
A ACBS define a ACT por processos teóricos, não por uma técnica específica. Por isso, dois profissionais de ACT podem conduzir sessões com estilos bem diferentes.
Formato e duração
O formato mais comum é o atendimento individual, presencial ou online, com frequência e duração das sessões combinadas no começo do trabalho. A abordagem também aparece em grupos e em programas com número de encontros definido de antemão. Em outros casos o processo é aberto.
A duração total varia conforme o caso e a avaliação do profissional, e costuma ser revista ao longo do caminho. Para entender como funciona o atendimento a distância, veja psicólogo online: como funciona.
Para que tipo de demanda é usada
Na literatura da própria abordagem, a ACT é descrita como aplicável a situações variadas, porque trabalha processos gerais do comportamento humano, e não um problema específico. O foco costuma estar em pessoas que se sentem presas numa luta contra pensamentos, emoções ou lembranças difíceis e percebem que essa luta ocupa o espaço daquilo que consideram importante.
Quem avalia se a ACT faz sentido para uma situação concreta é o profissional, na conversa inicial, junto com a pessoa atendida. Quando o que está sendo vivido é uma crise, o CVV atende pelo 188, ligação gratuita, 24 horas por dia, e há outros caminhos em onde buscar ajuda agora.
Formação do psicólogo em ACT
Não existe título de especialista em ACT concedido pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP). A Resolução CFP nº 23/2022 reconhece treze especialidades, e todas são áreas de atuação, como psicologia clínica ou hospitalar, não abordagens. O próprio registro de especialista, segundo o CFP, não é condição obrigatória para exercer a profissão.
Dentro da ACT também não há certificação oficial. A ACBS afirma que não existe terapeuta de ACT oficialmente certificado e explica que escolheu não criar esse processo. A formação costuma vir de cursos e workshops, grupos de estudo, supervisão clínica e pós-graduações em terapias comportamentais ou contextuais. É legítimo perguntar ao profissional onde ele estudou a abordagem.
Obrigatória é a inscrição no Conselho Regional de Psicologia (CRP): a Lei nº 5.766, de 1971, determina que todo profissional de psicologia se inscreva no conselho regional da sua área de ação.
Como conferir o CRP
O registro pode ser conferido no Cadastro Nacional de Profissionais de Psicologia, mantido pelo CFP, pelo nome ou pelo número de inscrição. O passo a passo, e a forma como este site faz essa conferência, estão em como verificamos o CRP. Veja também como escolher um psicólogo e a busca de psicólogos por cidade.
A escolha da abordagem
Saber o nome de uma abordagem não é pré-requisito para começar. Outras estão descritas em terapia cognitivo-comportamental, terapia do esquema e gestalt-terapia, cada uma nos seus próprios termos. A escolha da abordagem se faz na conversa com o profissional, que explica como trabalha e avalia, junto com a pessoa, se aquele caminho faz sentido. Este site descreve abordagens para informar e não indica abordagem para casos individuais.
Perguntas frequentes
ACT e TCC são a mesma coisa?
Não. As duas têm raízes comportamentais, mas a ACT tem base teórica própria, a Teoria das Molduras Relacionais, e organiza o trabalho em seis processos ligados à flexibilidade psicológica. O profissional explica, na conversa inicial, como trabalha.
Existe psicólogo certificado em ACT?
A associação internacional da abordagem, a ACBS, informa que não existe terapeuta de ACT oficialmente certificado. A formação costuma vir de cursos, workshops, supervisão e pós-graduação, e o registro obrigatório é o do CRP.
A ACT pode ser feita online?
O formato, presencial ou online, é combinado entre profissional e paciente. A página de acesso sobre psicólogo online explica como esse tipo de atendimento funciona no Brasil.
Quanto tempo dura a terapia de aceitação e compromisso?
Varia conforme o caso. Há protocolos com número de encontros definido e processos abertos, e a duração é conversada e revista com o profissional ao longo do trabalho.
Fontes
- ACT (Acceptance and Commitment Therapy)Association for Contextual Behavioral Science (ACBS), consultado em 28 de setembro de 2026
- The Six Core Processes of ACTAssociation for Contextual Behavioral Science (ACBS), consultado em 28 de setembro de 2026
- ACT CertificationAssociation for Contextual Behavioral Science (ACBS), consultado em 28 de setembro de 2026
- Acceptance and Commitment Therapy and Psychological Well-Being, A Narrative ReviewPubMed Central, National Institutes of Health (EUA), consultado em 28 de setembro de 2026
- Conselho Federal publica novas regras para obtenção de registro de especialista em PsicologiaConselho Federal de Psicologia, consultado em 28 de setembro de 2026
- Lei nº 5.766, de 20 de dezembro de 1971Presidência da República, consultado em 28 de setembro de 2026
- Cadastro Nacional de Profissionais de PsicologiaConselho Federal de Psicologia, consultado em 28 de setembro de 2026
- CVV, Centro de Valorização da VidaCVV, consultado em 28 de setembro de 2026