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Psicólogos Perto

Terapia de aceitação e compromisso: o que é e como funciona

A ACT é uma abordagem comportamental criada por Steven C. Hayes e colegas, que trabalha aceitação, atenção ao presente, valores e ação comprometida.

Conteúdo de saúde. Este texto informa sobre o acesso a serviços; não substitui atendimento. Se o sofrimento estiver intenso agora, o CVV atende pelo 188, de graça, 24 horas.

O que é a terapia de aceitação e compromisso

A terapia de aceitação e compromisso é uma abordagem de psicoterapia de base comportamental. No Brasil ela aparece muito pela sigla em inglês, ACT, de Acceptance and Commitment Therapy.

A Association for Contextual Behavioral Science (ACBS), associação internacional que reúne quem pesquisa e pratica a abordagem, descreve a ACT como uma intervenção que combina estratégias de aceitação e de atenção plena com estratégias de compromisso e de mudança de comportamento. O objetivo declarado é aumentar a flexibilidade psicológica: estar em contato com o presente e mudar ou manter um comportamento conforme aquilo que a pessoa valoriza.

Em termos simples, a ACT não parte da ideia de que pensamentos e sentimentos difíceis precisam sumir para a vida seguir. Ela trabalha a relação da pessoa com essas experiências internas e a direção que ela quer dar às próprias ações.

De onde vem a ACT

Uma revisão publicada na PubMed Central, base dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos, registra que a ACT foi desenvolvida no fim dos anos 1980 pelo psicólogo Steven C. Hayes e colegas, como desdobramento da análise do comportamento. O livro que apresentou a abordagem de forma sistemática saiu em 1999, assinado por Steven C. Hayes, Kirk D. Strosahl e Kelly G. Wilson.

A base teórica é a Teoria das Molduras Relacionais, conhecida pela sigla RFT, uma explicação comportamental de como funcionam a linguagem e a cognição humanas. A ACBS resume o ponto central assim: a linguagem pode enredar as pessoas em tentativas inúteis de travar uma guerra contra a própria vida interior. A matriz é a mesma da análise do comportamento e da terapia comportamental.

Princípios, nos termos da própria abordagem

A ACBS organiza a flexibilidade psicológica em seis processos centrais. Cada um é pensado como uma habilidade:

  • Aceitação: ensinada como alternativa à esquiva experiencial, isto é, à tentativa constante de fugir de sensações, emoções e lembranças desagradáveis.
  • Desfusão cognitiva: mudar a forma de se relacionar com os pensamentos, notando que são pensamentos, e não fatos que precisam comandar o comportamento.
  • Contato com o momento presente: atenção ao que acontece agora, sem julgamento automático.
  • Eu como contexto: a noção de um ponto de vista estável, de onde se observa o fluxo de experiências sem se confundir com ele.
  • Valores: direções de vida escolhidas pela própria pessoa, como família, trabalho, amizade ou comunidade.
  • Ação comprometida: passos concretos, pequenos ou grandes, na direção desses valores.

Como costuma funcionar na prática

O trabalho costuma começar por entender o que a pessoa vive hoje, o que ela já tentou fazer com as experiências difíceis e o que importa para ela. Com esse mapa, o psicólogo propõe exercícios e conversas que tocam os seis processos, no ritmo que o caso pede.

Nas sessões são comuns metáforas, exercícios experienciais e práticas de atenção ao presente. Segundo a ACBS, os protocolos de ACT quase sempre envolvem trabalho em sessão e tarefas entre as sessões, com metas ligadas aos valores. Na prática, isso pode significar combinar um pequeno passo para a semana e conversar, no encontro seguinte, sobre o que apareceu no caminho.

A ACBS define a ACT por processos teóricos, não por uma técnica específica. Por isso, dois profissionais de ACT podem conduzir sessões com estilos bem diferentes.

Formato e duração

O formato mais comum é o atendimento individual, presencial ou online, com frequência e duração das sessões combinadas no começo do trabalho. A abordagem também aparece em grupos e em programas com número de encontros definido de antemão. Em outros casos o processo é aberto.

A duração total varia conforme o caso e a avaliação do profissional, e costuma ser revista ao longo do caminho. Para entender como funciona o atendimento a distância, veja psicólogo online: como funciona.

Para que tipo de demanda é usada

Na literatura da própria abordagem, a ACT é descrita como aplicável a situações variadas, porque trabalha processos gerais do comportamento humano, e não um problema específico. O foco costuma estar em pessoas que se sentem presas numa luta contra pensamentos, emoções ou lembranças difíceis e percebem que essa luta ocupa o espaço daquilo que consideram importante.

Quem avalia se a ACT faz sentido para uma situação concreta é o profissional, na conversa inicial, junto com a pessoa atendida. Quando o que está sendo vivido é uma crise, o CVV atende pelo 188, ligação gratuita, 24 horas por dia, e há outros caminhos em onde buscar ajuda agora.

Formação do psicólogo em ACT

Não existe título de especialista em ACT concedido pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP). A Resolução CFP nº 23/2022 reconhece treze especialidades, e todas são áreas de atuação, como psicologia clínica ou hospitalar, não abordagens. O próprio registro de especialista, segundo o CFP, não é condição obrigatória para exercer a profissão.

Dentro da ACT também não há certificação oficial. A ACBS afirma que não existe terapeuta de ACT oficialmente certificado e explica que escolheu não criar esse processo. A formação costuma vir de cursos e workshops, grupos de estudo, supervisão clínica e pós-graduações em terapias comportamentais ou contextuais. É legítimo perguntar ao profissional onde ele estudou a abordagem.

Obrigatória é a inscrição no Conselho Regional de Psicologia (CRP): a Lei nº 5.766, de 1971, determina que todo profissional de psicologia se inscreva no conselho regional da sua área de ação.

Como conferir o CRP

O registro pode ser conferido no Cadastro Nacional de Profissionais de Psicologia, mantido pelo CFP, pelo nome ou pelo número de inscrição. O passo a passo, e a forma como este site faz essa conferência, estão em como verificamos o CRP. Veja também como escolher um psicólogo e a busca de psicólogos por cidade.

A escolha da abordagem

Saber o nome de uma abordagem não é pré-requisito para começar. Outras estão descritas em terapia cognitivo-comportamental, terapia do esquema e gestalt-terapia, cada uma nos seus próprios termos. A escolha da abordagem se faz na conversa com o profissional, que explica como trabalha e avalia, junto com a pessoa, se aquele caminho faz sentido. Este site descreve abordagens para informar e não indica abordagem para casos individuais.

Perguntas frequentes

ACT e TCC são a mesma coisa?

Não. As duas têm raízes comportamentais, mas a ACT tem base teórica própria, a Teoria das Molduras Relacionais, e organiza o trabalho em seis processos ligados à flexibilidade psicológica. O profissional explica, na conversa inicial, como trabalha.

Existe psicólogo certificado em ACT?

A associação internacional da abordagem, a ACBS, informa que não existe terapeuta de ACT oficialmente certificado. A formação costuma vir de cursos, workshops, supervisão e pós-graduação, e o registro obrigatório é o do CRP.

A ACT pode ser feita online?

O formato, presencial ou online, é combinado entre profissional e paciente. A página de acesso sobre psicólogo online explica como esse tipo de atendimento funciona no Brasil.

Quanto tempo dura a terapia de aceitação e compromisso?

Varia conforme o caso. Há protocolos com número de encontros definido e processos abertos, e a duração é conversada e revista com o profissional ao longo do trabalho.

Fontes

  1. ACT (Acceptance and Commitment Therapy)Association for Contextual Behavioral Science (ACBS), consultado em 28 de setembro de 2026
  2. The Six Core Processes of ACTAssociation for Contextual Behavioral Science (ACBS), consultado em 28 de setembro de 2026
  3. ACT CertificationAssociation for Contextual Behavioral Science (ACBS), consultado em 28 de setembro de 2026
  4. Acceptance and Commitment Therapy and Psychological Well-Being, A Narrative ReviewPubMed Central, National Institutes of Health (EUA), consultado em 28 de setembro de 2026
  5. Conselho Federal publica novas regras para obtenção de registro de especialista em PsicologiaConselho Federal de Psicologia, consultado em 28 de setembro de 2026
  6. Lei nº 5.766, de 20 de dezembro de 1971Presidência da República, consultado em 28 de setembro de 2026
  7. Cadastro Nacional de Profissionais de PsicologiaConselho Federal de Psicologia, consultado em 28 de setembro de 2026
  8. CVV, Centro de Valorização da VidaCVV, consultado em 28 de setembro de 2026

Como se escolhe a abordagem

A escolha da abordagem se dá na conversa com o profissional. Este site não indica abordagem para casos individuais e não compara a eficácia de uma com outra. Veja como escolher um psicólogo.

Outras abordagens